
Enquanto há vida, há esperança. Neste domingo, o Inter precisou sofrer como há anos não sofria para vencer o rebaixado Sport por 2 a 1 na Ilha do Retiro, com gol de falta de Andrezinho, e seguir com condições matemáticas de ser campeão brasileiro. Dos resultados paralelos, faltou o tropeço do Flamengo. Os cariocas venceram o Corinthians e têm o título nas mãos. Detalhe: o Colorado, para ser campeão, conta com a ajuda de seu maior rival, o Grêmio, adversário do Flamengo, no Maracanã, na última rodada.
Com o resultado, o Inter fecha a rodada na vice-liderança, dois pontos atrás do Flamengo. Se vencer o Santo André
na última rodada, no Beira-Rio, o Colorado precisa de um empate dos
cariocas com o Grêmio para ser campeão brasileiro após 30 anos. A vaga
na Libertadores está praticamente garantida graças a uma diferença de
14 gols de saldo entre os gaúchos e o Cruzeiro, quinto colocado.
O
jogo foi de extrema tensão. Muito mal no primeiro tempo, o Inter saiu
perdendo e virou na etapa final, com Kleber e Andrezinho.
Perdido, Inter larga atrás no primeiro tempo
Era
de se esperar um primeiro tempo de D’Alessandro, Alecsandro, Guiñazu,
Kleber. Mas foi de Vandinho, Wilson, Fininho, Fabiano. O Inter passou a
semana falando em ser campeão. E foi a campo para uma etapa inicial que
beirou o ridículo. Não jogou nada. Parecia que o Colorado era o time
matematicamente rebaixado, sem nada a fazer no Brasileirão, não o
Sport.
O Leão saiu na frente. E foi justo, assim como seria
justo se tivesse feito outros mais. O time de Mário Sérgio esteve
perdido. O lado esquerdo defensivo foi uma avenida dedicada à passagem
de Wilson. D’Alessandro se deu bem em todos os dribles que tentou. E
errou todos os passes na sequência. Giuliano e Marquinhos correram,
tentaram criar, lutaram para auxiliar Alecsandro. Mas não conseguiram.
Sandro, inexplicavelmente mais avançado do Guiñazu, perdeu sua função
natural.
E o Sport foi guerreiro. Convivendo com a dor do
rebaixamento, desfalcado de uma penca de jogadores, não se furtou a
correr. O domínio no primeiro tempo foi dos pernambucanos. Desde o
início da partida, estava escrito que o Leão faria um gol.
O
Inter até teve chances. Alecsandro tentou duas vezes no início do jogo.
Errou ambas. D’Alessandro foi outro a arriscar chutes de longe, mas sem
sucesso. A principal chance foi aos 34 minutos. Magrão buscou cabeceio
de Alecsandro. Marquinhos, no rebote, não conseguiu concluir.
Conforme
passava o tempo, mais o Inter se atirava ao ataque, e mais o Sport
ficava perto do gol. O time da casa sempre foi ameaçador. O gol, saído
aos 40 minutos, não foi surpresa. Fininho mandou na área, a zaga comeu
mosca, César desviou e Vandinho completou. Os jogadores do Inter
ficaram estáticos, boquiabertos com o que estava acontecendo, enquanto
os rubro-negros comemoravam.
E o Colorado ainda piorou ao
levar o gol. Logo depois de ser vazado, Lauro fez pênalti visível em
Vandinho. O árbitro não deu nada. Wilson ainda perderia gol claro antes
de terminar um primeiro tempo trágico para o Inter.
Inter vira
Mário
Sérgio percebeu o tamanho do estrago causado pelo primeiro tempo e
voltou do intervalo com duas novidades no time. Saíram Danilo Silva e
Marquinhos, entraram Glaydson e Edu. A ideia era deixar o time mais
ofensivo. Na prática, seguiu o panorama da etapa inicial, com o
Colorado atacando e convivendo com o contragolpe rubro-negro como
veneno.
A diferença é que o Inter conseguiu fazer o gol. Aos
22 minutos, Kleber recebeu de Giuliano pela esquerda, avançou em
diagonal e mandou na saída do goleiro Magrão. Era o empate colorado.
Renasceu
a esperança. O Inter não quis saber dos riscos que fatalmente correria:
se atirou ao ataque do jeito que deu, em busca de uma vitória
essencial. Alecsandro, com 28 minutos, mandou cabeceio no canto
esquerdo de Magrão. No momento em que a bola acertou a trave e não quis
entrar, o título parecia virar pó. Mas aí apareceu o pé milagroso de
Andrezinho. Em cobrança de falta de perfeita, aos 39, ele manteve o
Inter na briga. E enquanto há vida, há esperança.




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